Capítulo 10
A gente cresce, fica alto, mais velho... Mas, na maioria dos
casos, a gente ainda é um bando de crianças correndo no parquinho desesperados
para entrar num grupo.
Eu ainda
estou indignada com a situação da festa, não me chamaram por causa do Alex?
Em meio a
tantas roupas, não sei o que vestir, só sei que não vou vestir nada de festa
porque isso é uma festa universitária, traduzindo, bebida e farra. Pensei em um
short com uma blusa, mas talvez fique muito simples. Tenho um vestido preto que
ficaria legal, se não fosse uma festa cheia de universitários bêbados. Talvez a
Lexie me ajude.
- Lexie,
emergência – gritei. Ela veio correndo.
- Cadê? Foi
o Alex? – ela disse, apavorada
- Calma
garota, o Alex não para de trocar mensagens com alguém desde a hora que saiu do
quarto
- Então o
que foi?
- Me ajuda
com alguma roupa? Eu não sei o que vestir
- O que você
tem ai?
- Tem esse
vestido preto, foi o único que eu pensei até agora, mas eu acho ele muito
decotado – mostrei o vestido
- Esse tá na
medida, se você for com uma roupa de freira, aí que não vão te convidar mais
- Então o
que você propõe?
- Tenho uma
roupa aqui que tá novinha, nunca usei, vai com aquela
- Primeiro
eu tenho que ver não é?
Ela foi no
quarto e tirou uma saia e um top cropped, ambos azuis, em um tom quase preto.
Depois pegou uma sandália de salto com detalhes dourados.
- Você vai
com essa aqui – ela disse, muito empolgada
- É, só que
não, eu não vou arrumada assim pra uma festa da faculdade
- Eu conheço
festa de faculdade e você sabe bem disso, quando eu fui, pensei assim, mas
coloquei algo mais arrumado, sorte, lá não tinha ninguém desarrumado.
- Tá okay,
me convenceu
- E esse
cabelo? Vamos fazer o que?
- Nada – Meu
cabelo é castanho claro, tem mechas loiras, e é liso - não acho que precise,
assim está bom
- O mesmo
cabelo de todo dia? Não! Você sabe o motivo dessas festas?
- Farra?
- Não, é o
lugar em que te conceituam, se você for desarrumada é brega, pobre, sem estilo,
mal gosto, tudo isso. Mas se for arrumada, muita gente vai te “ver” se é que me
entende
-Entendo, o
que você quer fazer com o meu cabelo?
- Vamos
fazer uns cachos grandes nas pontas, tudo bem?
Eu acabei
aceitando. Mais tarde fomos almoçar, e acabamos passando em uma loja de
maquiagem, o Alex aproveitou pra ficar com
celular trocando mensagens com alguém, logo eu vou descobrir quem é. A
Lexie comprou tanta maquiagem que daria pra passar o ano, eu nunca fui de me
maquiar muito, só o básico.
Mais tarde a
Lexie tinha transformado nossa casa em um salão, graças a ela eu não vou ser
julgada como “brega, pobre, sem estilo,
mal gosto”. Ela fez tanta coisa pra me arrumar que quando ela disse que eu
poderia ir vestir a roupa e que estava pronta, eu fiquei com medo de levantar e
quebrar.
19:00,
estava pronta, me olhei o espelho, sem querer me gabar nem nada, mas eu estava
deslumbrante, estava perfeita, o top cropped tinha deixado mais curvas do meu
corpo a mostra, a saia marcava meu quadril de forma que eu nem o conheci, o
salto tinha dado um tom de elegância e brilho, a maquiagem estava perfeita, não
forte, não fraca, na medida. Meu cabelo tinha ondas que balançavam com o vento.
Aquilo era surpreendente.
- Irmã, tá
tudo tão perfeito, eu não sei como te agradecer
- Não
agradeça, é minha obrigação, antes da mãe morrer, ela me fez prometer que ia
cuidar de vocês -Uma ponta de saudade veio e eu tirei ela de mim, senti que
estava prestes a chorar – Ei, chorar? Não! Não faça eu me arrepender de fazer
essa obra prima em você – eu ri
- Obrigada –
abracei ela
- Acabou o
momento emoção. Vamos, eu vou te levar logo na casa da Miranda
Ela me levou
até lá, demorou cerca de quarenta minutos, eu subi pra o apartamento da Miranda
e ficamos conversando sobre ela e Perry. Ela estava caidinha por ele e ele por
ela, dava pra perceber isso nas aulas, eles ficavam flertando o tempo todo, a
semana toda.
O Telefone
dela tocou e ela tinha ido no banheiro
- Atende por
favor! – gritou ela
- Alô?
-Oi, esse
celular é da Miranda?
- É sim,
aqui é a amiga dela, Luísa
- Oi Luísa,
aqui é o Perry, a Miranda avisou que você viria conosco
- Ah sim,
ela me chamou
- Já estamos
aqui embaixo, podem descer
Eu e a
Miranda descemos, ela estava com um vestido verde escuro e uma jaqueta por
cima. Quando chegamos na calçada eu vi o Perry do outro lado no carro, mas eu
também vi o “amigo”, aquilo já tinha virado palhaçada, era o Derek, aquele
ignorante.
- Porquê
você não disse que o “amigo” era o Derek?
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