Capítulo 17
Em alguns dias, o
mundo parece estar todo do avesso. E então de alguma maneira… improvável e
quando você menos espera… o mundo se endireita novamente.
- Será que você topa
dar um passeio comigo? – Matthew perguntou
- Você está me
chamando para sair com você?
- Digamos que sim, e
então, o que você diz?
- Digamos que sim,
mas...
- Mas o que?
- Você veio visitar
o seu pai correto?
- Sim!
- E eu fiquei aqui o
dia todo
- E?
- Fale com o seu pai
enquanto eu vou pra minha casa me trocar, me pegue lá às 21:00
- Ótimo
- Ah, e posso saber
pra onde vamos?
- Não sei... Praia?
- Praia? A noite?
- Sim
- Perfeito
Entrei no carro e
fui pra casa, subi correndo. Tecnicamente esse seria o nosso primeiro encontro.
Entrei em casa, Lexie e Alex estavam assistindo filme.
- Então o que houve?
Eu te liguei várias vezes – Lexie perguntou
- O Perry levou um
tiro, a Miranda estava desolada porque ele estava em risco de morrer em uma
cirurgia... – eu disse
- Meu Deus! E você
está feliz com isso? Eu posso sentir sua felicidade irradiante do outro lado da
rua – ela disse
- Ele tá bem, relaxa
– eu disse
- Isso não é o
motivo da sua felicidade, é?
-Não, eu vou sair
com o Matthew, então se me permite eu preciso tomar banho
- Ei, me conta tudo
- Eu vou tomar banho
- Tá, mais depois
você me conta! Mas... não tá muito tarde?
- Relaxa Lexie, eu
vou voltar antes da meia noite – nós rimos
- Pode voltar até
depois disso
Eu entrei no banho,
mas logo me lembrei. O que eu iria vestir?
- LEXIE!- gritei
- Fala!
- Me ajuda com algo
pra vestir!
- Pra onde você vai?
- Praia
- Essa hora?
Eu continuei meu
banho, e quando terminei, mil e uma coisas me vieram a cabeça, coisas do dia
anterior. Eu deixei tudo de lado, sai do banheiro e fui ver a roupa que a Lexie
tinha escolhido pra mim. Era perfeito, eu nem sabia que era possível fazer uma
combinação tão legal com as minhas roupas. Vesti. E estava pronta, pronta para
o Matthew. Eu desci, e ele estava esperando na porta.
- Uou, você está
linda – ele disse
- Obrigada
Ele dirigiu até uma
praia, não muito longe, então quando descemos do carro, ele pegou uma mochila
no fundo do carro. Ele abriu uma toalha na areia com uma lamparina, um cobertor
e algumas almofadas.
- Como você pegou
tudo isso tão rápido?
- Acho que não fui
eu que fui rápido e sim você que demorou
- Ah, desculpa,
perdi o horário
- Quando você tem 17
anos e é loura e linda, sempre pode se atrasar.
- Seu bobo
- sente-se aqui,
vamos conversar – eu me sentei
- Eu te contei tanto
sobre mim, me conte sobre você
- Sua vida é muito
mais interessante que a minha
- Uma vida cheia de
tragédias igual a minha é melhor que uma vida nos Estados Unidos como a sua?
- Se tem uma coisa
que eu aprendi foi que sua vida é uma bênção. Aceite isso. Não
importa se é ferrada ou sofrida. Algumas coisas vão se desenrolar como se
fosse o destino.
- Mas me conte sobre
você
- Como recusar algo
pra você? – ele disse – Bem, eu nasci em Los Angeles, morei lá até os meus 14
anos, nos mudamos para Seattle. Meu pai trabalhava em um hospital lá. Mas eu
passei pra Yale, então eu me mudei e meu pai veio pra o Brasil.
- Então eu estou
saindo com um gringo e não sabia?
- Não, meus pais são
todos Brasileiros
- Mas você não
- Pois é
- E por que você deixou
Yale pra vir pra o Brasil?
- Minha mãe
- O que houve com
ela?
- Ela tem Alzheimer
- Ai Meu Deus, eu
sinto muito
- Ela piorou, eu não
podia deixar ela
- Eu entendo
- Vamos mudar de
assunto? Eu não gosto de falar sobre isso
- Ah sim, é claro,
vamos falar sobre o que?
- Você
- Eu?
- Sim
- Bem, você já sabe
algumas coisas sobre mim, o que mais quer saber?
- Você gosta de mim?
– eu congelei, eu gostava dele, mas nunca tinha dito. Ele colocou a mão na
minha perna. Eu não sabia o que fazer. Não sabia o que dizer. Mas eu sabia que
eu gostava dele. Então eu o beijei.


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