12 de dez. de 2014

Nobody Knows: Capítulo 30

Segredos. São a pior coisa que alguém pode ter, mas também é algo que o ser humano não vive sem. Eles destroem tudo que você pode ter. Uma vida, um amor, uma família, uma paz, mas acima de tudo, a confiança.
Após aquela mensagem, todos no encaramos, estávamos sem acreditar, como seria possível alguém saber de tanta coisa? Mas, o principal, eu não era a única a receber aquelas mensagens, não era a única a receber ameaças. Por um segundo eu me senti aliviada, mas logo esse sentimento se foi, juntamente com a minha proximidade com todas as pessoas daquela sala. Segundo aqueles segredos, todos eram imprestáveis.
- Que droga – ouvi alguns sussurrarem
- Vão embora, todos! – gritei e caminhei lentamente para o quarto. O silêncio se manteve, era possível ouvir o ruído dos meus passos. Logo alguém tocou o meu ombro, eu imaginei quem fosse. Matthew – Me larga, eu não te quero aqui – eu me virei, estava certa, era ele
- Me perdoa? Eu não estava bem... – eu impedi que ele continuasse
- Perdoar? Não. Não existe desculpa para isso Matthew. Vai correndo para a Ellie, ela te quer, ou melhor, ela quer o seu dinheiro. – respirei e pude sentir a velocidade com que o meu coração batia – E eu ainda pude achar que você seria o namorado perfeito
- Eu posso te explicar, só me dá um tempo, eu explico
- Não, eu não quero te ouvir, entendeu?
- Sabe, acho que eu estou errado de estar aqui me desculpando com você, afinal, você e o Derek tiveram bons momentos – meu corpo enrijeceu, eu não queria tocar no assunto
- Não invente desculpas para encobrir o que você fez Matthew, isso foi um acidente
- Ah, então eu posso dizer que o meu incidente com a Ellie foi um acidente
- É diferente – senti o gosto salgado na boca, as lágrimas estavam chegando
- Diferente? Eu admito, eu beijei a Ellie, mas você ficou nua na frente do Derek, é bem pior – sua voz era penetrante, e aquilo me incomodava cada vez mais
- Eu não fiquei nua na frente do Derek, foi um acidente – tentei parecer confiante, mas minha voz saiu frágil, eu pude sentir as lágrimas em meu rosto – Pensei que você entenderia
- Pensei que você não fosse esse tipo de garota, pensei que fosse capaz de entender
- Entender uma traição? Nós dois nos enganamos a respeito do outro – eu disse enquanto entrava para o meu quarto.
Bati a porta com força. Deslizei pela porta e me sentei no chão. Coloquei meu rosto entre as pernas e desabei em lágrimas. Meu coração e dizia para voltar lá e beija-lo mas minha cabeça sabia que era errado. Eu o amo, amo mais que tudo, sei que não suporto ficar longe dele, mas agora não dava. Senti um aperto no coração. E se ao menos ele estivesse aqui para me envolver em seus braços, tudo ficaria bem.
Pude ouvir gritos vindos da sala, eu soube que ninguém tinha ido embora, estavam todos tirando satisfações. Mas minha mente só conseguia pensar no Matthew. Nada poderia tira-lo de mim. E eu sei que sou uma covarde em ficar me lamentando e chorando por ele, mas não consigo parar. Agora eu havia perdido ele. O homem que eu mais amei.
Nesse momento, não conseguia pensar em nenhum dos outros problemas. Dane-se aneurisma, dane-se pessoas, a única coisa que eu quero agora é  Matthew, mas o meu orgulho não me deixa ir pedi-lo desculpas Ele errou mais do que eu.
Peguei meu violão, passei a mão por ele, tanto tempo havia se passado, tanta coisa acontecendo, e eu não havia sequer tocado nele.  Decidi cantar uma música para desabafar tudo o que eu estava sentindo. Sentei-me em minha cama e sequei minhas lágrimas.
I don’t ever ask you where you’ve been
(Eu nunca lhe perguntei onde você esteve)
And i don’t feel the need to know who you’re with
( E não sinto a necessidade de saber com quem você está)
I can’t even think straight, but i can tell
(Eu não consigo nem pensar direito, mas eu posso dizer)
That you were just with her
(Que você estava apenas com ela)
And i’ll still be a fool
(E eu ainda vou ser uma idiota)
I’m fool for you
(Eu sou uma tola por você)
Just a litte bit of your heart
(Apenas um pouco do seu coração)
Just a litte bit of your heart
(Apenas um pouco do seu coração)
Just a litte bit of your heart is all I want
(Apenas um pouco do seu coração é tudo o que eu quero)
Não consegui terminar de cantar, minha cabeça começou a latejar, minha voz foi se enfraquecendo, e eu não aguentava ficar mais sozinha naquele quarto. Abri a porta e caminhei até o quarto da Lexie. A casa estava silenciosa, era possível ouvir os ruídos vindos da rua. Não havia nenhuma luz acessa, apenas a iluminação da rua entrava pelas janelas. Todos tinham ido embora, talvez, para não voltar nunca mais.
- Posso entrar? – perguntei empurrando a porta
- Entra – ela afirmou. Quando entrei, ela não estava chorando, até por que ela nunca chora. Mas o seu quarto estava uma zona, suas coisas estavam todas no chão, seus objetos de vidro, estilhaçados ao chão. Essa era a sua forma de extravasar.
- Estamos na mesma – eu disse enquanto me sentava ao lado dela
- Infelizmente, ninguém nesse mundo presta
- Eu ainda não acredito que todos os nossos amigos sejam tão traidores
- O Natan me parecia tão...
- Perfeito?
- É
- O Matthew também
- Eu confiava tanto nele
- Eu entendo, eu também
- Ainda não acredito que ele a Sara... – ela não completou a frase mas eu pude entender
- É verdade que vocês já foram pra cama tantas vezes? – perguntei e senti o seu rosto corar
- Sim
- Não se preocupe, isso é normal
- Normal? Não é não
- Lexie, você não poderia adivinhar, a culpa não foi sua
- Você diz isso porque não sabe como é
- Realmente, não sei – tentei mudar o assunto - E o Alex?
- Ele saiu, sozinho, de moto
- Não era pra nos preocuparmos?
- Eu não me preocupo com ele, não mais
- Você está certa, ele saiu tantas vezes
- Eu tenho medo dele...  – eu a interrompi
- Não complete essa frase. Ele não vai morrer. Ele é forte
- Ele não se importa conosco
- Tenho que concordar. Antes, quando estávamos cuidando dele, ele era o irmão dos sonhos. Logo quando nos mudamos, ele disse tanta coisa bonita pra mim. Agora, ele não se importa com nada. E aquelas  palavras foram esquecidas
- O que houve com o Alex? Esse não é o meu irmão
- Eu também quero saber, você precisa saber quantas barbaridades ele me disse
- Não, nem precisa me dizer, ele me disse também
- Sério?
- Sim – meu celular começou a tocar e eu ignorei – Não vai atender?
- Não, é o Matthew
- Aproveite que ele quer se desculpar, o Natan nem isso fez
- Não
- Atenda!
- Não
- Se você não atende, eu atendo – quando me dei conta ela já estava com o meu celular nas mãos
- Alô? – ela disse – Não, aqui é a Lexie – percebi a sua expressão mudar – Ela sabe?
- Eu sei o que? – puxei o telefone de suas mãos
- Por favor – a voz do Matthew estava frágil
- Matthew? – ele estava chorando
- Vem aqui, por favor, eu só te peço isso, nunca mais te peço nada
- O que houve? Onde você tá?
- No hospital, só vem aqui tá? – ele desligou e eu levantei rápido
- Você vai atrás dele? – a Lexie perguntou
- Ele precisa de mim
- Você é tola demais
Não me importei com o que ela disse, eu sou tola, sou tola pelo Matthew. Se ele realmente precisa de mim, eu vou ajuda-lo.
- Me dá as chaves do carro?
- Você não pode dirigir, odeio ter que te lembrar isso, mas você tem um aneurisma que pode romper a qualquer momento  - por um tempo eu havia me esquecido de tudo isso.
- Quem se importa? – avistei as chaves, peguei e sai correndo para o carro
Fui dirigindo até o hospital. Eu não tenho ideia do que poderia ter acontecido. Mas ainda sim me preocupei. Quando cheguei, avistei o carro dele no estacionamento. Me lembrei de quando eu estava saindo do hospital e ele me levou pra casa, no carro dele.
Ele estava de pé na frente do hospital e quando ele me viu, veio correndo em minha direção, como uma criança sem rumo. Ele me abraçou, da forma como eu quis ser abraçada há uma hora atrás. Senti suas lágrimas molharem o meu ombro.
- O que aconteceu? – perguntei quando ele se afastou de mim
- Ela está morrendo, eu estou perdendo ela
- Ela quem? – então eu me lembrei
- Lucinda – dessa vez eu o abracei
- Calma, me explica direito – disse enquanto secava suas lágrimas
- Ela teve cinco paradas cardíacas em uma hora, estão reanimando ela agora  - meu coração apertou. Eu não a conhecia, mas pude sentir o que ele estava passando
- Ela não ia querer que você ficasse assim Matt, tenta se acalmar – ele ergueu a cabeça, olhou para o céu e desviou o olhar para os meus olhos
- Como eu queria te ter por perto a cada segundo da minha vida – ele manteve o olhar nos meus. Eu não soube o que responder – Eu queria que você estivesse sempre do meu lado, você aceita?
- Está me pedindo em namoro? – meu coração está batendo cada vez mais rápido
- Depende do seu ponto de vista, porque eu acho que já namorávamos
- Namorávamos
- E você esta dizendo que isso está no passado?
- Eu vou pensar melhor
- Pensa com carinho
- Pode deixar! – tentei mudar o assunto - Por que você não está com a Lucinda?
- Eu não suportei vê-la sendo torturada daquela maneira
- E por que você deixa?
- Você quer que eu mate ela?
- Não, mas, não seria melhor deixa-la ir em paz?
- Seria, mas eu não suporto a possibilidade de perde-la
- Chega uma hora que você tem que aceitar
- Eu aprendo a lidar com isso todos os dias, mas quando é comigo, é diferente
- Talvez você já saiba disso, mas minha mãe morreu nos meus braços, meu pai morreu nos meus braços, eu tive que deixa-los ir, eu não pude mudar nada, não estávamos em um hospital, estávamos no meio do nada, sem nada para salva-los. Eu não tive saída, foi o destino.
- E o que você quer dizer com isso?
- Imagine se ela estivesse no meio do nada, nos seus braços. Você jamais ia deixar que ela morresse, mas não teria outra alternativa, a natureza faria isso por você
- A hora dela chegou
- O que você vai fazer?
- Desligar os aparelhos, ela já não acorda mais, eu já sabia disso. Não vou deixa-la viver como um vegetal
- Faça o que achar correto. Eu vou embora, se precisar de qualquer coisa, pode me ligar
- Fique aqui comigo – pude sentir a necessidade em sua voz
- Esse é um momento seu, eu não fiz parte da sua vida no passado, a Lucinda fez. Me sentiria uma intrusa se ficasse
- Mas eu quero que você fique
- Não estamos mais juntos – dizer essas palavras me partiu o coração
- Então por que você veio?
- Eu vim como amiga – me virei e voltei para o meu carro
Uma hora atrás eu estava me lamentando por querer o Matthew de volta e agora eu o deixei. A questão é, se eu fosse aceita-lo de volta agora, eu estaria me aproveitando de sua tristeza e sua necessidade por apoio, e não seria a mesma coisa. Eu me arrependeria.
No caminho de casa, parei o carro perto do porto. Andei até a praia, me sentei na areia e fiquei apreciando aquelas barcas. Não importa o que acontecesse, elas sempre me acalmam.

A negação não é uma poça d'agua. É um Oceano. E como podemos fazer para não nos afogarmos?

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