2 de jan. de 2015

Nobody Knows: Capítulo 32

Hoje foi um longo dia, um dia estendido, mas não importa o quão longo seja ele, o dia sempre irá se renovar, e quando menos esperarmos, ele recomeça,  não importa o que dissermos, na maioria das vezes ele será a mesma coisa.
Derek abalou a minha consciência, e por pior que aparente, ele estava correto, eu sou tudo aquilo que ele disse e um pouco mais. Eu nunca precisei me esforçar pra ter o que eu quis. Meus pais sempre tiveram dinheiro, uma famosa cirurgiã ortopedista e um renomado professor de literatura.
Enquanto dirigia pra casa, esses pensamentos não saiam da minha cabeça. Liguei o som, mas a música que começou a tocar, me lembrou o Matthew, e não adiantou, só serviu para me deixar cada vez mais para baixo. Então eu peguei o meu celular para ligar para a Miranda, mas então percebi o horário, quatro horas da manhã.  Perdi totalmente a noção do tempo.
Assim que cheguei em casa, a Lexie estava andando de um lado para o outro com um telefone na mão, e então me mundo desabou, o Matthew estava sentado no sofá da minha casa, com o rosto enterrado nas mãos.
- Você que me matar de preocupação? Eu estava quase chamando a policia – a Lexie gritou em um tom firme. Mas eu não me importei com o que ela disse.
- Matthew? O que você está fazendo aqui? – Ele ergueu os olhos em minha direção.
- Eu estou falando com você sabia? – a Lexie disse aparecendo em minha frente, quebrando a minha ligação de olhares com o Matthew.
- Eu estou bem, estou viva e estou na sua frente – eu falei enquanto tirava ela da minha frente. Matthew se levantou e me envolveu em seus braços – O que você está fazendo aqui? – Eu tentei me soltar, mas aquilo era muito bom.
- Eu fiz um acordo com o meu pai, se não se lembra, eu te tirei daquele hospital prometendo que você não sairia do meu lado, eu não vou te abandonar. Eu já fui muito irresponsável, mas você me fez repensar o meu modo de agir. Então, não tente manter distância, você ainda está em recuperação, deve ficar de repouso e não pode dirigir. Por favor, não me faça ficar tão preocupado com você novamente – todas aquelas palavras tocaram o meu coração, eu fiquei tentada a beija-lo, mas recuei assim que percebi o que iria fazer.
- E a Lucinda?
- Ela está viva, acredito que ficará bem.
- Tudo bem, vocês estão se acertando, mas deixem isso para depois, o que importa agora é encontrar o Alex – a Lexie disse, novamente, atrapalhando seja lá o que for que estava acontecendo entre eu e o Matthew
- Como assim? – eu fiquei fora a noite toda, e realmente não fazia ideia do que estava acontecendo.
- Seu irmão saiu desde aquela hora e ainda não deu notícias – o Matthew disse, de uma forma que tentou me acalmar, porém, falhou.
- Não acredito, vocês tentaram ligar para o telefone dele?  - a pergunta mais idiota que eu pude fazer
- Sim, mas ele conhece o meu numero, então não atendeu – a Lexie se sentou – Ele está se autodestruindo.
- Tente ligar do meu – o Matthew ofereceu seu celular. Eu peguei
- Eu vou fingir que não estamos preocupados, espero que ele atenda – eu disse enquanto discava o numero.
- Alô? – Ele atendeu no segundo toque
- Alex, é a Luísa
- O que você quer?
- Eu queria saber se você está em casa, eu acabei perdendo a hora aqui na casa do Matthew... – ele me interrompeu
- Eu não estou em casa
- Você está onde?
- Na casa de um amigo
- Que amigo?
- Virou interrogatório? Olha só, você não é minha mãe pra se achar no direito de me controlar, vê se me esquece – ele desligou o telefone
- Você está bem? – o Matthew me perguntou, eu apenas acenei que sim e fui para o meu quarto.
O tempo estava frio, minha pele estava pálida, eu estava com frio. Peguei algumas roupas ara tomar um banho. Tirei os sapatos, e caminhei para o banheiro. Antes que eu pudesse entrar no banheiro, alguém bateu na porta.
- Entre!
- Desculpa – o Matthew disse assim que percebeu que eu estava indo tomar um banho – Posso voltar mais tarde.
- Sem problemas, o que você quer?
- Nós precisamos conversar – seu olhar se desviava para todos os cantos do quarto, menos para o meu corpo.
- Você tem medo que eu morra?
- O que?
- Nós somos namorados, e você... tem um certo tipo de medo de me olhar
- Somos?
- Éramos – corrigi
- Eu não tenho medo que você morra, você não vai morrer
- Não pode ter tanta certeza
- Mas posso cuidar para que isso não aconteça. – ele respirou tentando ganhar tempo - Nós precisamos conversar sobre o aneurisma.
- O que?
- Meu pai quer fazer alguns exames, ele quer conversar com você
- Diga o que ele quer dizer
- Não sei
- Você sabe, e por isso está tão sério
- Eu realmente não sei, mas esse não é o verdadeiro motivo da conversa
- Não? – eu fechei a porta do banheiro
- Não, eu não quero que existam segredos entre nós, eu quero te contar sobre o meu passado. – eu fiquei tão chocada, que me sentei .
- Comece!
- Quando meu pai se mudou para o Brasil, eu fiquei sozinho com a Lucinda. Fiquei solitário demais, então comecei a ir para festas, e como em todas as festas de adolescentes, tinha muita bebida e o pior, tinha muita droga. Eu e meus amigos bebíamos muito, meu dinheiro era somente dedicado a vodka, energéticos para me manter acordado, e muitas ervas. Todas as madrugadas eu chegava em casa literalmente chapado. A Lucinda sabia o motivo, e ainda sim, ela cuidava de mim. Algumas vezes fui preso por dirigir bêbado, mas todos me liberavam quando descobriam que eu era filho de Adam Taylor. Lá, ele é idolatrado, eu era o tipo de cara imprudente, filhinho de papai e tudo desse tipo. Mas, tudo o que eu queria, era atenção. Meu pai nunca teve tempo pra mim. Por favor, eu resolvi ser sincero com você, portanto, não me julgue, é a única coisa que eu lhe peço. – ao terminar, ele estava exausto, acho que, relembrar tudo aquilo, era doloroso.
- Eu não sou do tipo que julga as pessoas. Não tem motivo pra isso. Eu também tive uma adolescência um tanto turbulenta. Eu nem sei o que dizer, é meio que impossível imaginar você dessa maneira – foi a única coisa que saiu da minha boca.
- Sabe o verdadeiro motivo da minha vinda ao Brasil? O motivo de ter largado tudo lá?
- O que?
- Mudança. Eu vim apenas para passar alguns dias, mas você... você mudou o meu jeito de pensar. Pela primeira vez eu conheci alguém como você, que mesmo sem saber quem sou, gostou de mim. Você é diferente de todas as garotas que eu conheci, e pense, eu já conheci muitas. Você é especial, você é batalhadora e digna de respeito. Uma vez, eu tive uma namorada, o nome dela era Ellen, e o que eu fiz com ela foi imperdoável, por isso eu tenho medo de que eu faça isso com você, então, eu mantenho distância.
- Matthew, eu nem sei o que dizer, eu me sinto agradecida por essas doces palavras.
- Então, eu quero o seu perdão, eu preciso que você me perdoe. O meu erro não faz de mim um idiota que vai te perder tão fácil, faz de mim um ser humano, e todo ser humano está sujeito a cometer erros.
- Todos nós fizemos coisas pelas quais não nos orgulhamos. Será que contar o seu passado sombrio e pedir desculpas pode mesmo curar nossas feridas? Será que arrependimento é o suficiente?
- Eu realmente sinto muito pelo que aconteceu, foi somente uma vez, e eu me sinto arrependido desde o minuto em que aconteceu, eu preciso do seu perdão para me livrar desse fardo.
- Acontece que, da mesma maneira que aconteceu somente uma vez, poderia acontecer muito mais. Eu gosto muito de você, e sempre achei que você seria o namorado dos sonhos de qualquer garota, o príncipe das histórias. Porém, contos de fadas não existem. Eu te perdoo, mas não estou pronta para reatar o nosso relacionamento. Tudo isso aconteceu muito rápido, eu devo processar as informações.
- Tudo bem, saiba que sempre que precisar, eu estarei presente. Você é uma pessoa muito importante na minha vida, foi você quem abriu os meus olhos para esse mundo e que me fez enxergar a perfeição das coisas. Eu te perdoei também, e confio em você. – ele se levantou e abriu a porta do meu quarto – Te vejo logo.
- Até logo Matthew – ele saiu
Eu despenquei na cama, fiquei observando o teto até que o toque do meu celular me tirou do transe. Peguei o celular e me deparei com mais uma mensagem.
Eu avisei que iria tirar cada coisa de você, primeiro o seu irmão, agora o seu namorado. Breve terei o prazer de te ver sozinha.
Pela primeira vez eu tomei coragem para responder.
Quem é você? O que você quer de mim e dos meus amigos?
A mensagem chegou instantaneamente.
Alguém que sabe sobre o seu passado e cada detalhe escondido. Eu quero vingança!
Gelei ao ler essa mensagem, haviam tantos segredos por trás do meu passado. Larguei o celular e fui tomar meu banho. Assim que saí, me deitei e dormi no mesmo instante. O cansaço me dominou e pela primeira vez eu tive certeza. Quando nascemos, nós choramos, choramos porque estamos chegando a um mundo perdido e cruel, e desde pequenos sabemos que deveremos ser fortes, se não formos, o mundo dará um jeito de nos tirar de campo.




Nenhum comentário:

Postar um comentário