Capítulo 35 - Garoto Problema
Quando alguém entra na sua vida inesperadamente, esse alguém bagunça a sua vida e se torna necessário. O Matthew chegou rapidamente, e ao contrário disso, tornou a minha vida um pouco mais fácil. Ele transformou a vida em algo simples. A cada momento em que estive ao seu lado, pude sentir que ele era necessário. Não consigo me imaginar sem ele.
Ao meu lado, ele dirigia, as janelas abertas do carro deixavam o clima entre nós mais gostoso. A velocidade com que ele conduzia o carro, me assustava. Bem, eu tenho esse péssimo costume de usufruir das altas velocidades, mas ele, ele era incrivelmente rápido, o que me fazia segurar nos bancos do carro a cada curva.
- Se for para segurar no banco dessa maneira, segure no meu braço querida – não olhei para ele, mas pude sentir um leve sorriso em seu rosto.
- Não seria legal você ter o seu braço marcado com minhas unhas – ironizei.
- Seria um grande privilégio ter suas unhas cravadas em meu braço – ele me olhou com aquele olhar perfeito e eu sorri levemente.
- Você está pedindo Matthew Taylor! – eu sorri intensamente.
- Você deveria sorrir mais, fica mais perfeita do que já é – corei com suas palavras, ele é mais doce do que qualquer outro garoto que conheci.
- Não tente flertar comigo – ameacei em meio a risadas.
- Você está pedindo Luísa Stevens!
- Ei, essa é minha fala – eu lhe dei um leve empurrão no braço e ele riu despreocupado.
Às vezes me pego pensando como eu seria se não tivesse conhecido ele. Minha vida seria um pouco mais difícil. Talvez eu nunca mais conhecesse ninguém como ele. Ou talvez eu não atraísse tantos problemas.
- Você está pensativa, me diga o que está pensando – ele disse com sua voz doce, interrompendo meus pensamentos.
- Se eu te dissesse, deixaria de ser um pensamento – ele me olhou com uma expressão indecifrável.
- Pra onde iremos agora? Para a minha casa? – me lembrei de que, antes de acontecer o que quase aconteceu mais cedo, estávamos a caminho do hospital.
- Bem, nós estávamos indo para o hospital antes de “mudarmos nosso caminho”, mas já que está dirigindo, pensei que soubesse para onde iríamos.
- Meu pai pode esperar até amanhã, a menos que queira voltar.
- Podemos ir para a minha casa – optei por essa escolha, já que, se fossemos para a casa dele, ficaríamos sozinhos, temo o que pudesse acontecer.
- Você está evitando ficar sozinha comigo? – ele me pegou em cheio e eu fiquei sem palavras.
- Eu não tenho motivos pra isso, tenho? – tentei jogar pra ele.
- Isso é você quem me diz, você sabe que eu não faria nada que você não quisesse. Você confia em mim? – isso já era o bastante. Sua forma de falar era como abraçar um ursinho de pelúcia, melhor impossível.
- Eu sei, mas nesse momento eu quero ir para a minha casa, com você – foram as ultimas palavras ditas dentro do carro.
***
Ao nos aproximarmos do prédio em que moro, avistamos uma viatura da polícia. Meu coração foi tomado pelo medo. E a cada segundo, a imagem ficava mais nítida. Eu pude ouvir as batidas do meu coração. O nervosismo tomou conta de mim e minhas mãos começaram a suar e tremer, meu sangue pulsava drasticamente pelo meu corpo. E quando Matthew parou o carro, pude ver que o meu irmão estava ali. Sucumbi a dor. Me entreguei para a parte destrutiva de mim.
Abri a porta do carro barbaramente, e corri para onde estavam aglomerados. Lexie me olhou e desviou o olhar para o Alex. Eu já não estava com medo. Estava com raiva. Não quero mais mentir para proteger o Alex, ele já é maduro o suficiente para pagar pelos seus atos.
- O que aconteceu? – perguntei a Lexie. Percebi que o Matthew encostou perto de nós para saber o que estava acontecendo.
- Pegaram o Alex portando drogas – ela disse enquanto colocava suas mãos para cobrir o rosto.
- Como é que é? – engasguei
Matthew me abraçou por trás e me girou para ficar frente a frente com ele.
- Olhe nos meus olhos – ele segurou meu rosto – Fica tranquila, vai ficar tudo bem, eu vou dar um jeito nisso. Não se preocupe, não fique nervosa. Confie em mim, tudo vai dar certo. Entendido? – eu acenei que sim – Ótimo, agora suba com sua irmã, eu vou dar o meu jeito.
- Matthew, eu gosto muito de você, mas isso é problema nosso, não seu – Lexie advertiu – Fica fora disso, todos nós sabemos que o seu “jeito” é o dinheiro. As coisas não funcionam assim – nesse momento o Matthew pareceu um pouco constrangido, mas logo sua expressão mudou.
- Alexandra Stevens, o meu “jeito” não é o dinheiro, não insinue que irei pagar qualquer tipo de propina aos policiais. Você é uma pessoa merecedora do meu respeito, portanto, eu exijo – ele enfatizou a palavra – que você me respeite da mesma maneira que eu lhe respeito.
- Você está brincando com fogo, Taylor – ela ameaçou. E desde pequena eu aprendi que se Lexie te chamar pelo seu sobrenome, ela quer te matar.
- Eu trouxe muita água, Stevens – ele retrucou e eu senti uma repentina vontade de rir.
Lexie me lançou um olhar feio e começou a andar para a porta do prédio, então eu fui atrás dela. Até a sua maneira de caminhar era raivosa.
Eu sempre temi o dia em que alguém desafiasse ela, é a mesma coisa que colocar um braço na boca do leão, por mais que ele seja domado, existe sempre um percentual que ele feche a boca. Matthew estava brincando com o Leão.
***
Depois que Lexie sumiu dentro do seu quarto, eu deitei em minha cama e comecei a olhar o teto. Típico de alguém que está morrendo de tedio. Rolei de um lado para o outro e não consegui parar de imaginar como Matthew estaria resolvendo as coisas lá embaixo. Será que ele conseguiu? Será que ele é amigo de algum desses policiais? Será que ele está usando sua influência?
Parei de pensar em tudo isso e ouvi a voz da Miranda em minha cabeça – Claro que você está apaixonada por ele. Balancei a minha cabeça para apagar esses pensamentos. Peguei o meu celular e tinham três recados. Abri o primeiro, era da Miranda.
Oi, eu disse que passaria ai, não deu, fiquei presa na faculdade fazendo uns trabalhos. Depois conversamos sobre aquilo... Enfim, te vejo amanhã na festa do Lucas, eu sinceramente espero que você vá. Muitos beijos, fique bem.
Então eu me lembrei da festa do Lucas. Minha memória anda falhando um pouco. Por um minuto pensei se responderia ou não e resolvi ligar e deixar o recado.
Oi, foi melhor você não ter vindo mesmo, estamos enfrentando uma barra aqui em casa. Tudo está de cabeça para baixo. Eu saí com o Matthew e nos acertamos, as coisas ficaram um pouco “quentes”. Então eu realmente não sei se vou a festa de amanhã, vai depender de como as coisas estão por aqui e da minha saúde também. Precisamos conversar, me ligue na hora que puder, fique bem você também. Mil beijos!
Abri o próximo recado e era do Perry.
Eu tentei te ligar e você não atendeu, imaginei que não estaria em casa. É claro que você está sabendo que eu e Miranda nos separamos. Me ajude com isso. Me liga.
Foi tão bom ouvir sua voz novamente. Infelizmente ele estava sofrendo com isso. Será meu papel uni-los novamente.
Perry, desculpa por não te atender, eu estava ocupada. Não se preocupe, eu irei ajudar com o que precisar. Pode passar aqui em casa quando quiser. Você sabe que tenho o maior prazer em te ajudar não é mesmo?
Finalmente, o ultimo recado era de Lucas, ele também disse que passaria aqui.
Olá Luli, pedi a Miranda para te avisar da minha festa, mas achei mais adequado te convidar formalmente. Vai ser amanhã, eu quero muito que você vá. E antes que pergunte, estou comemorando que Clarisse veio morar comigo, ao meu lado ela está a salvo. Nos vemos amanhã, não irei te perdoar se você não for.
É claro que eu vou! Clarisse é a irmã mais nova do Lucas, ela e Alex andavam juntos o tempo todo. Ela era muito companheira. Lucas comentou que ela estava tendo problemas com o namorado. Fico feliz por ela.
Você está me convencendo, eu irei pela Clarisse.
Com apenas essas palavras, desliguei meu celular. Ouvi alguns barulhos vindos da sala e sai do quarto. Lá estavam eles, Matthew e Alex. Ele conseguiu. Mas ao se aproximar de mim percebi que o seu olho estava roxo.
- O que aconteceu? – perguntei ao Matthew
- Nada, não se preocupe!
- Não me preocupar? Eu te deixo lá em baixo com meu irmão e três policiais e você diz pra não me preocupar porque você voltou com um olho roxo? – eu percebi que ele não queria contar. Então liguei os fatos – Foi o Alex não foi? – ele não confirmou e não negou. Mas eu soube que meu irmão havia feito aquilo.
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