Capítulo 26
Existem surpresas
boas e surpresas ruins. Eu sou do tipo que odeia qualquer tipo dela, eu odeio
ser surpreendida, eu gosto de estar no controle. Mas e quando não se pode estar
no controle? Quando é você a vítima? Eu acabei de ser vítima da vida e suas ocorrências,
e se tem uma coisa que eu odeio é ser vítima.
Acordei, em uma cama
de hospital. Novamente. Eu não posso ficar muito tempo longe daqui,
simplesmente não posso, ele me arrasta até aqui, pelo jeito bom, ou pelo ruim.
Não consigo me
lembrar de nada que aconteceu na noite anterior, nem o motivo por estar ali. Eu
simplesmente sabia que deveria estar ali.
- Luísa! – ouvi
alguém me chamar, mas não reconheci a voz. Era uma garota, então ela se
aproximou, e eu pude ver, era a Sara. – Ainda bem que você acordou... ah me
desculpe, eu falo muito não é mesmo? Nem fomos devidamente apresentadas, sou
Sara – eu não deixei que ela completasse
- A namorada do Alex
– completei
- Isso mesmo. Ele já
deve estar a caminho. Eu me ofereci para ficar com você
- Obrigada Sara – a
partir daí, comecei a gostar dela
Eu não estava me
sentindo bem, algumas dores no peito e uma dor de cabeça muito forte, então
fiquei calada. Quando o Alex chegou, ele estava com a Lexie, Miranda, Perry,
Matthew, Derek, Lucas, Clarisse, Natan, Melissa e o Dr. Taylor.
- Eu virei atração
do hospital foi? – todos ali? Por minha causa? Tinha algo muito errado. Mas
então eu percebi, o Matthew não deveria estar internado? E o Perry também? E
agora eles estão tão bem – Por quanto tempo eu dormi?
- Luísa – o Dr.
Taylor foi o primeiro a se pronunciar – todos estão aqui para te ver, e você
fez uma neurocirurgia – engasguei. Como assim? Neurocirurgia? Eu tinha um
tumor? Aneurisma? Isso explicaria alguns problemas, mas parecia algo tão
impossível
- Não é possível,
eu... eu estou com algum tumor? Vou morrer? Estou no meio do meu ultimo surto
de energia? – a Miranda começou a abraçar o Perry. Se eu bem a conhecia, ela
estava com medo. Logo a Lexie e o Alex sentaram perto de mim e seguraram as
minhas mãos
- Lú, você tem um
aneurisma cerebral – a Lexie pronunciou aquelas palavras com cautela. Aquilo
pra mim foi como um tiro no peito. – fizemos uma cirurgia, mas você teve
complicações e tivemos que tira-la de dentro da cirurgia
- O que você quer
dizer com complicações? – eu perguntei e senti que já estava chorando. Eu nunca
fui de chorar. Mas como receber a
notícia de que se está quase morrendo e não chorar? – eu estou morrendo? Lexie,
fale a verdade
- Não, você não está
morrendo, nós faremos o que for preciso pra você não morrer – então era isso?
Já era de se esperar que eu fosse morrer? – você teve uma parada cardíaca e
tivemos que usar as medidas extremas, mas o que importa, é que agora, você está
bem
- Não Lexie, não é
tão simples, eu tenho um aneurisma? Vocês já abriram meu cérebro uma vez e vão
abrir de novo, como isso é simples? – todos estavam assistindo ao meu drama.
Percebi que o Matthew me olhava como se eu fosse um bebezinho doente. Eu
ficaria com raiva se fosse qualquer outra pessoa, mas o olhar dele era perfeito.
Então ele se aproximou
- E se eu te disser
que eu ficarei ao seu lado em cada momento, estarei presente na sua segunda
cirurgia, assim como na primeira eu estive. Que estarei presente a cada
momento, você deixaria tudo simples? – o Matthew disse cada palavra enquanto
passava as mãos sob minha cabeça, foi então que eu percebi o quão apaixonada eu
estava por ele. A forma como ele me tratava deixava tudo mais simples, e
naquele momento, o olhar dele me fez esquecer de tudo.
- Com você do meu
lado tudo fica simples – ele se aproximou e me beijou – Dr. Taylor, quando será
a próxima cirurgia? – quando eu disse isso todos aplaudiram
- Vou pedir a todos
que se retirem, preciso ter uma conversa com a Luísa, somente um acompanhante –
o Dr. Taylor disse a todos, e então o Matthew e a Lexie se entreolharam. –
Podem ficar os dois – ele disse, se referindo ao Matthew e a Lexie
-Obrigada – a Lexie
disse
- Pois bem, agora a
escolha é sua Luísa Stevens, vamos clipar o seu aneurisma ou não? – o Dr.
Taylor disse enquanto olhava pro meu prontuário
- Vamos sim, não
vejo motivo para não realizar o procedimento – e realmente, se aquilo iria me
salvar, não sei o porquê de não fazer.
- Existem motivos
sim – ele explicou e o Matthew apertou mais ainda a minha mão – como você é uma
estudante de medicina, não tenho motivo pra enrolar, vamos direto ao ponto –
pude perceber que a mão do Matthew estava suando, ele já sabia o que iria
acontecer – por sorte, o seu aneurisma foi diagnosticado rapidamente, mas,
existem as complicações de uma cirurgia, se ele romper, pode causar vários
danos – a Lexie segurou a minha outra mão - Após a ruptura, os vasos sanguíneos do
cérebro podem se contrair involuntariamente, num movimento conhecido como vaso espasmo.
Isso pode interromper o fluxo sanguíneo para as células do cérebro e provocar
um derrame, além de causar outros danos e morte celular.
- Eu
corro os riscos, se isso for me deixar viva, eu corro os riscos – eu disse sem
pensar, mas sabia, que se eu pensasse demais não iria resolver.
- A
escolha é sua, eu vou fazer o que você quiser – a Lexie disse. Como eu ainda
era de menor, ela que era responsável por mim
- Eu
vou fazer a cirurgia, mas antes, eu não quero ficar dentro desse hospital, sem
ver a luz do Sol, eu quero sair, eu quero poder ficar longe
-
Lamento – o Dr. Taylor começou a dizer, mas o Matthew o interrompeu
- Ela
pode, pode ficar comigo, eu tenho qualificação, daqui um ano termino a minha
faculdade
-
Matthew... – ele começou a dizer, mas quando viu o que o Matthew sentia por
mim, e eu por ele, simplesmente cedeu – Ela deve ficar com você o tempo todo, a
cada segundo
- Tudo
o que eu mais queria, pai – ele abraçou o pai. – Obrigado
Nós
ficamos ali por um tempo, todos voltaram, ficamos conversando, até que eu
recebi a notícia que poderia ir pra casa, com o Matthew. Eu nem passei em casa
para pegar nada, naquele momento, eu queria poder abraça-lo e receber aquele
calor do corpo dele novamente. Como eu havia sentido falta disso.
- Você
ouviu o que o meu pai disse? Juntos a cada segundo – ele disse enquanto
estávamos no carro a caminho da casa dele. Eu nunca tinha conhecido a casa
dele.
- Será
por que eu estou começando a gostar disso? – brinquei
- Chegamos...
Lar doce Lar
E ali
estava a surpresa, a casa dele parecia com aquelas mansões dos filmes, era algo
simplesmente lindo e grandioso.

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