22 de nov. de 2014

Nobody Knows: Capítulo 26

     Capítulo 26
Existem surpresas boas e surpresas ruins. Eu sou do tipo que odeia qualquer tipo dela, eu odeio ser surpreendida, eu gosto de estar no controle. Mas e quando não se pode estar no controle? Quando é você a vítima? Eu acabei de ser vítima da vida e suas ocorrências, e se tem uma coisa que eu odeio é ser vítima.
Acordei, em uma cama de hospital. Novamente. Eu não posso ficar muito tempo longe daqui, simplesmente não posso, ele me arrasta até aqui, pelo jeito bom, ou pelo ruim.
Não consigo me lembrar de nada que aconteceu na noite anterior, nem o motivo por estar ali. Eu simplesmente sabia que deveria estar ali.
- Luísa! – ouvi alguém me chamar, mas não reconheci a voz. Era uma garota, então ela se aproximou, e eu pude ver, era a Sara. – Ainda bem que você acordou... ah me desculpe, eu falo muito não é mesmo? Nem fomos devidamente apresentadas, sou Sara – eu não deixei que ela completasse
- A namorada do Alex – completei
- Isso mesmo. Ele já deve estar a caminho. Eu me ofereci para ficar com você
- Obrigada Sara – a partir daí, comecei a gostar dela
Eu não estava me sentindo bem, algumas dores no peito e uma dor de cabeça muito forte, então fiquei calada. Quando o Alex chegou, ele estava com a Lexie, Miranda, Perry, Matthew, Derek, Lucas, Clarisse, Natan, Melissa e o Dr. Taylor.
- Eu virei atração do hospital foi? – todos ali? Por minha causa? Tinha algo muito errado. Mas então eu percebi, o Matthew não deveria estar internado? E o Perry também? E agora eles estão tão bem – Por quanto tempo eu dormi?
- Luísa – o Dr. Taylor foi o primeiro a se pronunciar – todos estão aqui para te ver, e você fez uma neurocirurgia – engasguei. Como assim? Neurocirurgia? Eu tinha um tumor? Aneurisma? Isso explicaria alguns problemas, mas parecia algo tão impossível
- Não é possível, eu... eu estou com algum tumor? Vou morrer? Estou no meio do meu ultimo surto de energia? – a Miranda começou a abraçar o Perry. Se eu bem a conhecia, ela estava com medo. Logo a Lexie e o Alex sentaram perto de mim e seguraram as minhas mãos
- Lú, você tem um aneurisma cerebral – a Lexie pronunciou aquelas palavras com cautela. Aquilo pra mim foi como um tiro no peito. – fizemos uma cirurgia, mas você teve complicações e tivemos que tira-la de dentro da cirurgia
- O que você quer dizer com complicações? – eu perguntei e senti que já estava chorando. Eu nunca fui de chorar.  Mas como receber a notícia de que se está quase morrendo e não chorar? – eu estou morrendo? Lexie, fale a verdade
- Não, você não está morrendo, nós faremos o que for preciso pra você não morrer – então era isso? Já era de se esperar que eu fosse morrer? – você teve uma parada cardíaca e tivemos que usar as medidas extremas, mas o que importa, é que agora, você está bem
- Não Lexie, não é tão simples, eu tenho um aneurisma? Vocês já abriram meu cérebro uma vez e vão abrir de novo, como isso é simples? – todos estavam assistindo ao meu drama. Percebi que o Matthew me olhava como se eu fosse um bebezinho doente. Eu ficaria com raiva se fosse qualquer outra pessoa, mas o olhar dele era perfeito. Então ele se aproximou
- E se eu te disser que eu ficarei ao seu lado em cada momento, estarei presente na sua segunda cirurgia, assim como na primeira eu estive. Que estarei presente a cada momento, você deixaria tudo simples? – o Matthew disse cada palavra enquanto passava as mãos sob minha cabeça, foi então que eu percebi o quão apaixonada eu estava por ele. A forma como ele me tratava deixava tudo mais simples, e naquele momento, o olhar dele me fez esquecer de tudo.
- Com você do meu lado tudo fica simples – ele se aproximou e me beijou – Dr. Taylor, quando será a próxima cirurgia? – quando eu disse isso todos aplaudiram
- Vou pedir a todos que se retirem, preciso ter uma conversa com a Luísa, somente um acompanhante – o Dr. Taylor disse a todos, e então o Matthew e a Lexie se entreolharam. – Podem ficar os dois – ele disse, se referindo ao Matthew e a Lexie
-Obrigada – a Lexie disse
- Pois bem, agora a escolha é sua Luísa Stevens, vamos clipar o seu aneurisma ou não? – o Dr. Taylor disse enquanto olhava pro meu prontuário
- Vamos sim, não vejo motivo para não realizar o procedimento – e realmente, se aquilo iria me salvar, não sei o porquê de não fazer.
- Existem motivos sim – ele explicou e o Matthew apertou mais ainda a minha mão – como você é uma estudante de medicina, não tenho motivo pra enrolar, vamos direto ao ponto – pude perceber que a mão do Matthew estava suando, ele já sabia o que iria acontecer – por sorte, o seu aneurisma foi diagnosticado rapidamente, mas, existem as complicações de uma cirurgia, se ele romper, pode causar vários danos – a Lexie segurou a minha outra mão - Após a ruptura, os vasos sanguíneos do cérebro podem se contrair involuntariamente, num movimento conhecido como vaso espasmo. Isso pode interromper o fluxo sanguíneo para as células do cérebro e provocar um derrame, além de causar outros danos e morte celular.
- Eu corro os riscos, se isso for me deixar viva, eu corro os riscos – eu disse sem pensar, mas sabia, que se eu pensasse demais não iria resolver.
- A escolha é sua, eu vou fazer o que você quiser – a Lexie disse. Como eu ainda era de menor, ela que era responsável por mim
- Eu vou fazer a cirurgia, mas antes, eu não quero ficar dentro desse hospital, sem ver a luz do Sol, eu quero sair, eu quero poder ficar longe
- Lamento – o Dr. Taylor começou a dizer, mas o Matthew o interrompeu
- Ela pode, pode ficar comigo, eu tenho qualificação, daqui um ano termino a minha faculdade
- Matthew... – ele começou a dizer, mas quando viu o que o Matthew sentia por mim, e eu por ele, simplesmente cedeu – Ela deve ficar com você o tempo todo, a cada segundo
- Tudo o que eu mais queria, pai – ele abraçou o pai. – Obrigado
Nós ficamos ali por um tempo, todos voltaram, ficamos conversando, até que eu recebi a notícia que poderia ir pra casa, com o Matthew. Eu nem passei em casa para pegar nada, naquele momento, eu queria poder abraça-lo e receber aquele calor do corpo dele novamente. Como eu havia sentido falta disso.
- Você ouviu o que o meu pai disse? Juntos a cada segundo – ele disse enquanto estávamos no carro a caminho da casa dele. Eu nunca tinha conhecido a casa dele.
- Será por que eu estou começando a gostar disso? – brinquei
- Chegamos... Lar doce Lar

E ali estava a surpresa, a casa dele parecia com aquelas mansões dos filmes, era algo simplesmente lindo e grandioso.

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