Acordei às oito horas da manhã, pra ser mais clara, eu quase não dormi, e eu tenho muitos motivos para isso, o Matthew, o Alex que por sinal ainda não chegou em casa, a mensagem... enfim, acho que já deu para entender.
Acho que o pior defeito da raça humana é se importar com que os outros pensam. Eu era o tipo de pessoa que vivia para agradar os outros, até que eu me cansei de ser assim. Depois disso, eu criei a minha própria personalidade. E eu ainda não acredito que o Matthew me contou tudo aquilo. Ele não se importou com o que eu iria pensar, não se preocupou em me agradar, ele apenas contou a sua história de vida, mesmo se arrependendo. Tá aí uma coisa que eu comecei a admirar nele. A maioria dos caras jamais contaria isso para uma garota.
Peguei os meus óculos, escolhi um livro da minha coleção do Nicholas Sparks, peguei o meu IPod e me sentei perto da janela. Comecei a ler, mas a minha cabeça estava longe demais para conseguir ler aquilo ali.
- Ei – a Lexie sussurrou em meu ouvido enquanto tirou um dos meus fones.
- Oi, você me assustou.
- Eu te chamei umas seis vezes.
- O que você quer?
- Miranda está no telefone – ela mostrou o meu celular na mão dela.
- Espera, você atendeu o meu telefone?
- Estava tocando sem parar, agora, tchau, que eu estou muito atrasada – ela disse saindo de perto de mim para pegar a bolsa.
- Mas que novidade – eu gritei enquanto ela saia – Oi – atendi o celular
- Como você está? – ela perguntou com uma voz meio insegura. Miranda insegura era algo impossível de acontecer.
- Eu estou bem, parece que você que não está, o que aconteceu?
- Venho com notícias boas e ruins, a boa é que eu sou candidata ao intercâmbio para a França, tenho tido um ótimo desempenho nas aulas de Francês – ela voltou a ser mais ela.
- Nem me lembrava mais das aulas de Francês – nós rimos – e qual a ruim?
- Eu e o Perry, nós terminamos – sua voz despencou, da confiante a um choro vergonhoso.
- Ei, não chore, se quiser, pode vir aqui em casa – resolvi não perguntar o porquê, isso só iria magoa-la mais ainda.
- Eu estou na faculdade agora, talvez durante a noite eu passe aí – ela disse enquanto recuperava o fôlego – até logo –ela deu uma pausa – Eu já ia me esquecendo, o Lucas pediu pra convidar você para a festa dele.
- Festa dele? – eu fiquei imensamente surpresa.
- É, eu não sei direito, ele disse que depois passa aí em sua casa, agora eu tenho que ir mesmo, tchau.
Eu fui até a cozinha e peguei uma xícara de café e liguei a televisão. Já tinha me esquecido como é ruim ficar sozinha. Peguei o telefone e liguei para o Dr. Taylor.
- Alô? – ele atendeu com aquela voz familiar, me fez sentir saudades dele e até mesmo da maluquinha da Melissa.
- Oi, aqui é a Luísa, o senhor disse que eu poderia ligar se precisasse.
- Olá Luísa, em que posso te ajudar? – ele disse – Por favor, não me chame de senhor, me chame de Adam.
- Então, Adam, o Matthew disse que você precisa falar comigo.
- Sim, então, ele pediu “demissão” – ele riu – do cargo de cuidar de você – aquilo me magoou – Para não termos o trabalho de te trazer novamente para o hospital, que tal uma nova cirurgia? Já estudei tudo, e dessa vez prometo que conseguiremos.
- Acho uma boa ideia – tentei parecer o mais animada possível.
- Precisamos ter uma conversa antes e fazer uns novos exames, tudo bem pra você?
- Claro!
- Nos vemos hoje á noite?
- Claro – eu desliguei.
Fiquei por mais um tempo assistindo filmes na televisão, até o momento em que a campainha tocou. A ultima pessoa que eu esperava ver, Derek.
- O que você quer aqui? – perguntei tentando intimidá-lo, uma missão quase impossível.
- Eu quero que me escute – abri a porta para que ele entrasse. Não sei o porquê.
Ele se sentou, e eu me sentei na outra ponta do sofá. Ele se aproximou e eu me distanciei.
- Derek, se você quer que eu te escute, fala logo, eu não tenho o dia todo – ameacei.
- Não é o que parece, esse cobertor e essa xícara de café, indicam que você estava sentada assistindo televisão – eu lancei um olhar de ira para ele e acho que entendeu o recado.
- Eu não tenho o dia todo só para você, a propósito, como conseguiu subir sem passar pelos porteiros?
- Eu tenho meus meios, na verdade, eu sempre tenho.
- Sai daqui Derek, eu nem sei por que deixei você entrar.
- Oh, tudo bem. Eu quero me desculpar, na noite passada, tudo aquilo que eu te disse, foi da boca para fora. Eu não sei nem o que eu disse, eu estava chapado, depois da noite aqui em sua casa. A minha irmã me disse que deu para ouvir do lado de fora a nossa briga. – ele estava baixando a guarda.
- Derek Collins, pedindo desculpas? Não é possível - tentei ironizar, mas tudo o que estava em minha boca tinha que sair – Você estava certo sobre tudo, eu sou tudo aquilo que você disse, acho que até um pouco mais. Então, você não me deve desculpas. Por favor, vá embora, eu preciso ficar sozinha.
- Não, você precisa disso – ele se aproximou de mim e me beijou, cada vez mais, eu não consegui parar.
Chegou a um ponto em que seu corpo estava encima do meu, ele me beijava fundo, e a cada toque meu corpo sentia uma vibração. O turbilhão de emoções me fez separa-lo de mim.
- Você gosta de mim? – foi a única pergunta que saiu da minha boca. Haviam tantas.
- Defina “gostar” – ele disse como se nada não estivesse acontecido.
- Você só pode estar brincando, não acredito nisso.
- E como você acha que eu me sinto? Por sua causa, eu não dormi, fiquei mal. Parece até que tem alguma coisa no meu estômago. Um frio.
- Um frio? – eu estava com muita raiva – Ah não, isto não está acontecendo.
- Não tem ninguém mais surpreso e envergonhado do que eu.
- Derek, eu nem sei o que te dizer, acho que você deve beber alguma coisa pra passar esse frio, eu não irei sacia-lo.
- Vai dizer que não gostou? Não minta, você amou, se sentiu adorada.
- Não é questão de gostar ou não Derek, não rola.
- Você gosta de mim? Sabe, se não gosta, foi o que deu a entender. Você foi me procurar ontem para que eu te explicasse.
- Gostar de você? Ah Derek, vai embora daqui. Eu e você, chega a ser debochado
- O beijo nem foi tão bom assim, já beijei outras garotas bem melhores que você.
- É claro, você adora uma prostituta.
- Tem razão, não posso comparar elas com você. No quesito experiência, elas ganham de lavada.
- No quesito Caráter, elas perdem de lavada.
- No momento eu não estou me importando muito com caráter.
- Agora não é hora de me redimir. Você tem namorada! – ele começou a andar até a porta
- Eu não sou do tipo que namora. Mas isso não é da sua conta – Ele abriu a porta – A propósito, você fica linda de óculos – ele bateu a porta com força.
Derek era o tipo de pessoa imprevisível, ninguém sabe qual será o seu próximo movimento, ninguém sabe quando ele vai dar o “bote”. Sempre somos surpreendidos pelas suas atitudes. Com ele, só nos resta esperar .
Assim que ele saiu, eu me senti uma idiota em ter beijado ele. Só não sei como isso aconteceu. Em um momento ele me beija (e eu deixo) e em outro momento ele me esnoba.
Meus pensamentos foram interrompidos com o Alex entrando disparado pela porta. Seu rosto demonstrava medo, e ele pareceu estar exausto. Então ele chegou perto de mim, ofegante.
- Tenha calma Alex, o que aconteceu? – Indaguei, um tanto curiosa, da mesma forma que estava preocupada.
- Eu matei uma pessoa – ele foi curto e direto. O seu suor estava pingando, seu coração acelerado. E eu, eu estava assustadoramente preocupada.
Parece que a garota da lingerie e o garoto da toalha andaram pulando a cerca. O que você acha? Eu conto ou não conto para os outros?
Eu posso ficar de bico fechado sobre o seu irmão, posso livrar a barra dele, mas eu tenho condições. Você sabe que me ama -A
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