20 de jan. de 2015

Nobody Knows: Capítulo 34

Muitas das vezes que nós mentimos, é por medo da verdade. Eu tenho medo de muitas verdades, então eu minto. Alex diz ter matado alguém. Nós estamos passando por tanta coisa, mentir é a melhor saída. Dizer que não somos culpados é o mais fácil a se fazer, porém, o certo e o fácil nunca são a mesma coisa. Ás vezes temos que escolher entre o certo e o fácil. Dessa vez, para proteger o meu irmão, eu escolho o fácil. Ele pode ser a pior pessoa do mundo,  pode ter feito coisas horríveis comigo, mas ele é meu irmão e eu o amo o suficiente para protege-lo.
Estou mais confusa que tudo, eu não sei mais nada a respeito dos meus sentimentos. Até ontem eu amava o Matthew. Se eu ainda o amo? Acho que amo. Mas o Derek confundiu tudo. Eu não amo o Derek, amar uma pessoa como ele é uma coisa muito difícil, ele é uma pessoa difícil. Eu não sinto atração por ele, na verdade, eu não sinto nada por ele. Mas quando ele está por perto, ele intimida, ele te induz a fazer o que ele quer.
Peguei o meu celular para responder a mensagem.
O que você quer pra não contar e proteger o meu irmão?
Eu não estava ansiosa pela resposta, fui até a cozinha e peguei um copo de água para mim e outro para o Alex. Eu dizia pra mim mesma que não estava ansiosa, a verdade é que eu estava com medo da resposta. Mas as pessoas dizem que a partir do momento que você começa a acreditar em sua mentira, ela se torna real, pelo menos para você.
- Você tem certeza disso? – perguntei a ele.
- É claro que tenho, eu passei com a moto encima de uma pessoa – ele respondeu como se fosse algo tão óbvio.
- Como conseguiu fugir sem que ninguém te visse? Como conseguiu atropelar uma pessoa? Você está se sentindo bem?
- Olha eu estava bêbado e agora estou de ressaca, não dá pra pensar com você fazendo questionário no meu ouvido – ele se levantou
- Alex, você matou uma pessoa, eu posso muito bem ir na delegacia agora e dizer que você assumiu – ameacei
- Você não vai fazer isso, eu te conheço bem o suficiente pra saber –ele começou a caminhar para o quarto dele.
-As pessoas mudam – comecei a caminhar atrás dele.
- Você não - ele se virou para mim e fechou a porta do quarto.
Tomei um banho, vesti uma roupa e fiquei esperando a Lexie chegar com o carro para que eu pudesse ir ao hospital. Peguei o meu celular e lá estava a mensagem.
Já que você gostou tanto de beijar Derek Collins, beije-o novamente na festa do Lucas Parker, publicamente.
Desabei. Para salvar o meu irmão, eu preciso beijar um cara. Aparentemente, uma coisa simples. Como eu disse, aparentemente.  Estou certa de que Derek é sinônimo de encrenca. Não posso beija-lo publicamente, isso seria magoar o Matthew, ele é tão bom pra mim, não me parece a coisa certa a fazer. Por outro lado, é o meu irmão, eu prometi a minha mãe que iria protege-lo, devo cumprir a minha promessa. Estou em uma situação de limite na qual todas as minhas escolhas irão machucar pessoas que amo.
Meu telefone tocou me tirando do transe. Li na tela, Matthew. Fui tomada pelo medo de atender. Eu me conheço muito bem. primeiro irei agir estranha, depois ele vai perguntar por quê, eu não poderei contar o que realmente aconteceu, então irei mentir. Quando estou nervosa sou péssima atriz.
- Alô? – decidi atender.
- Eu estava preocupado com você – ele disse e então vários pensamentos vieram à tona.
Ele não tinha motivos para se preocupar comigo. Ou tinha? Talvez ele soube que o Derek me fez uma visita. Ou talvez ele saiba o que o Alex fez. Ou até mesmo o pai dele tenha contado que eu iria ao hospital. O que eu estou pensando? Não existe chance dele saber de tudo isso. Eu devo relaxar.
- Não tem com o que se preocupar – soltei isso da forma mais amarga possível.
- Não foi o que pareceu – pude perceber no tom da sua voz que ele estava preocupado comigo de verdade. O que ele soube?
- Não? – meu coração começou  bater cada vez mais rápido.
Na minha cabeça ele poderia responder a qualquer momento – Fiquei sabendo que o Derek foi te fazer uma visita – ou até mesmo – O Alex matou uma pessoa – E novamente eu estava imaginando coisas impossíveis. Relaxe. Relaxe. Relaxe.
- Você ainda pergunta? Até parece que não foi você que me mandou aquela mensagem.
- E não mandei. O que diz na mensagem?
- Sério que não foi você?
- Sim, o que diz ai?
- Nem queira saber.
- Qual é? Fale!
- É melhor pessoalmente, você vai ao hospital hoje?
- Sim, marquei com o seu pai. Estou esperando a Lexie chegar.
- Posso te dar uma carona, estou indo pra lá, no caminho conversamos.
- Tudo bem.
***
- Boa noite – o Matthew disse enquanto eu entrava dentro do carro dele.
Aquele sorriso. Aquele cheiro. Aquela voz. Aquele rosto. Tudo nele parecia tão renovado. Meu coração acelerou quando ele se aproximou para me dar um beijo. Um beijo no rosto. Tão delicado que me deu vontade de puxa-lo para mim e dar-lhe um beijo apaixonado. Quando ele se aproximou pude perceber que ele se sentia da mesma forma, ou talvez um pouco pior.
- Boa noite. E ai? – murmurei. Parecia que não nos víamos a algum tempo. Ele cortou o cabelo, isso deixou ele com uma feição mais arrumada e elegante. Estava gracioso. Seus olhos claros encontraram os meus e eu senti meu coração acelerar mais e mais.
- Eu estou bem, com saudades de você, é claro – aquilo me pegou de surpresa e eu não sabia o que dizer. Então o motor do carro dando partida me tirou do transe.
- ham...é... eu também estou com saudades – gaguejei.
- Precisamos conversar!
- Sobre?
- A mensagem.
- Ah,claro, a mensagem.
- Dizia que eu não era bom o suficiente para você, e que você já tinha outro. É verdade? – seu olhar era sério, sua face, duvidosa.
- Matthew – comecei e então pensei em Derek – Você é mais do que bom pra mim, aliás, eu não me acho boa o suficiente para você. Eu nunca diria isso para ninguém.
-E quanto a parte que você já tinha outro? – eu não conseguiria mentir e dizer que não. Na verdade eu não tinha outro, Derek não era outro, ele havia apenas me beijado. Um beijo não significa nada.
- Você está com ciúmes? – forcei um sorriso e soquei seu braço de leve.
- Não – ele disse com uma voz séria. Mas depois que me viu rindo, começou a rir instantaneamente.
- Está sim! Meu bem, não fui eu quem enviou – percebi que ele ainda estava tenso, então resolvi mudar de assunto, até por que eu não queria desocupar a mente para pensar em Alex. A ficha ainda não caiu, na minha cabeça não parecia algo tão grave como realmente tinha sido – Que tipo de música você gosta?
- Nada em especial – eu liguei o som e começou a tocar uma das minhas músicas preferidas do Linkin Park, Leave Out All The Rest. Comecei a cantar na hora.
- When my time comes, forget the wrong that i’ve done. Help me leave behind some reasons to be missed. And don’t resent me (Quando minha hora chegar, esqueça os erros que eu cometi.Me ajude a deixar pra trás algumas razões para ser lembrado. Não fique ressentida comigo) - Matthew começou a cantar comigo.
 – When you’re feeling empty, keep me in your memory, leave out all the rest, leave out all the rest (Quando se sentir vazia, me mantenha em sua memória, esqueça todo o resto, esqueça todo o resto) – ele abaixou o volume do som.
- Por que abaixou o volume? – perguntei, fazendo cara de triste.
- Quero que me escute – ele parou o carro.
- O que foi?
- Você está estranha. Eu sei que não somos namorados, nunca oficializamos nada. E você tem livre direito de ficar com quem você quiser, mas eu te peço uma chance de te mostrar que eu sou o cara certo para você. Eu te amo, você é a mulher da minha vida. Eu sou apaixonado por você e não importa o que as pessoas digam, você foi feita pra mim. Me escolha, me dê uma chance! – eu comecei a encara-lo, não sei o motivo. É que olhar para ele era como um descanso. Olhar dentro daqueles olhos era como esquecer o mundo que existe lá fora e entrar em um horizonte só nosso.
Eu tenho fortes sentimentos pelo Matthew, ele me ama e acabou de dizer isso. Eu devo responder que o amo também. Devo responder que quero ele perto de mim. Que quero beija-lo. Mas tudo isso ficou entalado na minha garganta.
- Ninguém nunca olhou pra mim da forma que você me olha – cuspi essas palavras. Eram verdadeiras, mas não chegavam nem perto do que eu sentia naquele momento.
- Quando eu fiz aquilo – ele enfatizou a palavra aquilo e eu soube o que era – eu não queria fazer você se sentir mal ou sofrer. Eu pensei que ia perde-la e a Ellie apareceu tão rapidamente – ele soltou um leve suspiro – Eu não quero que você pense que existe alguém mais importante pra mim do que você. Porque não existe. Eu mataria por você. Mas, mais do que isso, eu morreria por você.
Eu senti uma lágrima rolar pelo meu rosto. Ninguém nunca havia me dito tantas palavras bonitas.
- É melhor você não morrer por mim Matthew Taylor – solucei.
Ele pôs o dedo sobre a lágrima e secou.
- Estou perdoado?
- Mais do que isso, eu te escolho! – Eu estendi a mão por trás do pescoço dele e o puxei para um beijo. Sua boca devorou a minha como se fosse a coisa que mais necessitasse em todo o universo. Seus lábios beijaram o meu pescoço e voltavam para os lábios.
Passei minhas mãos por baixo de sua camisa e senti o seu corpo, embora eu soubesse como era o físico dele. Ele parecia mais forte. Enquanto seus braços me puxavam para mais perto dele, eu dava leves puxadinhas em seu cabelo, o que o fazia rir enquanto me beijava. Estava tudo tão maravilhoso. Me lembrei do nosso primeiro beijo, na praia.
Então um barulho ensurdecedor nos interrompeu. Uma buzina de caminhão. Não vi motivo nenhum para terem buzinado. E me senti mal pelo nosso momento ter sido interrompido por algo tão idiota.
- Você quer... continuar? – Matthew perguntou e eu ri.
- Aqui não – ele riu também

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